Em todo o mundo, candidatos de distintos espectros políticos vêm utilizando o instrumental do marketing político de guerrilha, demonstrando criatividade e inovação, levados à cabo por partidos e equipes que empregaram o método de Levinson de modo exitoso, captarando a atenção do eleitorado e colhendo votos nas urnas.
Barack Obama – Eleição Presidencial dos EUA em 2008: A campanha de Obama é frequentemente citada como um exemplo pioneiro de marketing de guerrilha moderno. Embora ele tenha contado com um orçamento substancial, a sua campanha utilizou várias táticas de guerrilha, incluindo forte presença nas redes sociais, marketing viral e a criação de ícones culturais, como o famoso pôster “HOPE” desenhado pelo artista Shepard Fairey. Este tipo de imagem capturou a atenção do público e foi amplamente compartilhado, tanto digitalmente quanto fisicamente, como um símbolo da campanha.
 
Narendra Modi – Eleição Geral Indiana de 2014: Modi utilizou uma estratégia de campanha inovadora que incluiu a projeção holográfica. Ele realizou “comícios holográficos”, onde a sua imagem foi projetada em múltiplos locais ao mesmo tempo. Isso permitiu que ele alcançasse eleitores em áreas remotas sem estar fisicamente presente, uma tática bastante alinhada com o conceito de marketing de guerrilha, pois foi inesperada e memorável.
 
Joko Widodo – Eleição Presidencial da Indonésia em 2014: Conhecido como Jokowi, ele usou uma abordagem de marketing de guerrilha que enfatizava a sua imagem como homem do povo. Sua campanha focou em ações de rua e aparições públicas surpresa, que criaram uma sensação de acessibilidade e contraste com os políticos tradicionais. Ele também se beneficiou de um movimento de base de apoio que utilizou arte de rua e músicas virais para promover sua mensagem.
 
Donald Trump – Eleição Presidencial dos EUA em 2016: Donald Trump, embora não fosse um candidato com poucos recursos, utilizou táticas de marketing de guerrilha para atrair atenção da mídia e engajar eleitores. Seus tweets polêmicos capturavam constantemente os ciclos de notícias, mantendo sua campanha na vanguarda da discussão pública. Essa abordagem de comunicação direta e frequente poderia ser considerada uma forma de marketing de guerrilha, pois rompeu com as convenções de como os candidatos normalmente se comunicavam com o eleitorado.
 
É importante notar que o marketing de guerrilha em campanhas eleitorais não é apenas sobre táticas individuais, mas também sobre a mentalidade de ser ágil, inovador e capaz de capitalizar em oportunidades inesperadas. Enquanto algumas campanhas possuem o benefício de grandes orçamentos para publicidade tradicional, outras dependem de métodos criativos e de baixo custo para se destacar, e é aí que o marketing de guerrilha realmente brilha.
 
Jesse Ventura – Eleição para Governador de Minnesota (1998): Jesse Ventura, ex-lutador profissional, surpreendeu muitos ao vencer a eleição para governador de Minnesota. Sua campanha utilizou uma mistura de marketing de guerrilha e aparições na mídia que destacavam sua personalidade carismática e diferenciada dos políticos tradicionais. Ele usou slogans memoráveis e fez aparições inesperadas que o ajudaram a construir uma base de eleitores fiéis.
 
Luiz Inácio Lula da Silva – Eleição Presidencial do Brasil (2002): Lula, que já era uma figura conhecida na política, utilizou uma abordagem de campanha que incluía marchas de mobilização e contato direto com o eleitorado em locais públicos. Sua campanha deu ênfase a eventos comunitários e ao engajamento popular, o que ajudou a fortalecer sua imagem como um candidato do povo.
 
Viktor Yushchenko – Revolução Laranja na Ucrânia (2004): Durante a conturbada eleição presidencial da Ucrânia, a campanha de Yushchenko adotou a cor laranja como símbolo de sua identidade. Isso se tornou um símbolo visual poderoso durante as manifestações massivas e protestos que caracterizaram a Revolução Laranja. A cor laranja foi usada em tudo, desde bandeiras até roupas, criando um marcador visual unificador para o movimento.
 
Justin Trudeau – Eleição Federal do Canadá (2015): A campanha de Trudeau utilizou uma série de táticas de marketing de guerrilha para revitalizar a imagem do Partido Liberal do Canadá. Isso incluiu sessões de fotos virais que mostravam Trudeau em poses pouco convencionais e atividades, bem como a utilização eficaz de mídias sociais para engajar o eleitorado jovem e promover uma imagem de mudança e progresso.
 
Alexandria Ocasio-Cortez – Eleição Primária Democrata de Nova York (2018): A campanha de Ocasio-Cortez é notável pelo seu uso inteligente de marketing de guerrilha e estratégias de mídia social. Com um orçamento significativamente menor do que seu oponente, ela confiou em vídeos de campanha virais, eventos de base e uma presença poderosa nas mídias sociais para se conectar com eleitores jovens e marginalizados.
Esses exemplos demonstram como o marketing de guerrilha pode ser uma ferramenta eficaz para campanhas eleitorais, especialmente quando combinado com uma mensagem autêntica e um candidato carismático. As táticas de guerrilha são particularmente úteis para candidatos com menos recursos ou para aqueles que procuram se diferenciar em um campo lotado. Elas podem criar momentos memoráveis e impulsionar uma campanha de maneiras que a publicidade tradicional muitas vezes não consegue.
 
Chico Cavalcante é jornalista, consultor político e estrategista-chefe da Vanguarda Política.
@chicocavalcantevp