Em uma época de mudanças aceleradas, o marketing político está passando por uma transformação radical. Longe vão os dias em que as campanhas se apoiavam quase exclusivamente em anúncios de TV, panfletos e comícios. O advento da era digital e o crescente ceticismo dos eleitores quanto à autenticidade e às intenções dos políticos sinalizam um novo amanhecer para o marketing político – um fim para as práticas tradicionais como as conhecíamos.

A primeira grande mudança tem sido a digitalização da comunicação. Com bilhões de pessoas agora online, as mídias sociais e as plataformas digitais tornaram-se o campo de batalha primordial para as mentes e corações dos eleitores. A personalização do marketing político é mais apurada do que nunca, com campanhas usando dados e análises para direcionar mensagens específicas a grupos específicos de eleitores. Isso não só aumentou a eficiência dos esforços de campanha, mas também levantou questões significativas sobre privacidade e ética na coleta e uso de dados.
 
Além disso, o conteúdo gerado pelo usuário e o marketing de influência revolucionaram a maneira como as campanhas se espalham. Os eleitores não são mais receptores passivos de mensagens políticas; eles são agora propagadores ativos, compartilhando e comentando sobre o conteúdo político em suas redes. Isso resultou em uma descentralização do marketing político, onde o poder está cada vez mais nas mãos dos eleitores individuais, e não apenas nas máquinas de campanha.
 
A interatividade é outra área que reformulou o marketing político. As transmissões ao vivo, as histórias do Instagram e as sessões de perguntas e respostas no Twitter permitem que os eleitores interajam diretamente com os candidatos em tempo real. Isso criou um ambiente em que a responsividade e a autenticidade são altamente valorizadas e onde a falta de transparência pode ser rapidamente penalizada.
 
A narrativa também mudou. Com o declínio da confiança nas instituições e na mídia tradicional, as campanhas políticas têm que trabalhar mais arduamente para construir e manter a confiança dos eleitores. Histórias e narrativas que enfatizam a autenticidade e a conexão pessoal têm mais probabilidade de ressoar do que slogans genéricos e promessas vazias. A emoção, mais do que a razão, muitas vezes domina o discurso político.
 
A fragmentação da mídia é outro fator crucial. A era dos poucos canais de televisão e jornais de referência acabou. Hoje, a mídia está fragmentada em inúmeros blogs, podcasts, canais de vídeo e contas de mídia social. Isso significa que as mensagens políticas devem ser adaptadas a uma variedade de formatos e plataformas para alcançar um eleitorado diversificado.
 
O fim do marketing político como o conhecíamos também tem a ver com a velocidade da informação. As notícias e as narrativas políticas evoluem em um ritmo vertiginoso, obrigando as campanhas a serem mais ágeis e adaptáveis. A capacidade de responder rapidamente a eventos atuais e de gerenciar crises de comunicação tornou-se essencial.
 
Finalmente, a crescente importância da responsabilidade social e ambiental está levando a um novo tipo de marketing político, um que enfatiza não apenas o que é politicamente expediente, mas o que é socialmente responsável e sustentável. Os eleitores, especialmente as gerações mais jovens, estão cada vez mais alinhados com valores que transcendem a política tradicional.
 
Em resumo, o marketing político está evoluindo de uma prática que era em grande parte unilateral e baseada em transmissão para uma que é interativa, personalizada, orientada por dados e focada na autenticidade. À medida que avançamos para um mundo cada vez mais digital e consciente, as campanhas que abraçam essas mudanças e as usam para construir uma conexão significativa com os eleitores prosperarão. Aqueles que se apegam às táticas do passado correm o risco de serem deixados para trás em um mundo onde o marketing político, como nós o conhecíamos, não existe mais.
 
Chico Cavalcante é jornalista, consultor político e estrategista-chefe da Vanguarda Política
@chicocavalcantevp